Gerir uma vida saudável – Parte III

Acedeste ao desafio que te lancei na parte II? 🙂

Como disse anteriormente, só conseguimos chegar onde sabemos que queremos chegar.

É excitante fazer uma viagem sem grandes planos, daquelas em que apenas sabemos que vamos no dia x e regressamos no dia y.

Mas indiscutivelmente, parte do prazer de uma aventura dessas, reside na possibilidade de ir onde nos apetece, estar com quem desejamos, visitar os monumentos, as florestas, os museus, os desertos que queremos…

O que seria de uma viagem sem destino, se estivéssemos sempre à mercê dos desejos dos nossos companheiros? Sempre a dizer que sim a tudo, mesmo sem vontade?

Na vida é a mesma coisa: cedemos, encaixamo-nos, criamos espaço para acomodar as necessidades de quem gostamos…mas e nós? Onde ficam nossos desejos, vontades…sonhos?

A Super Mãe acha que nunca está primeiro. Que consegue pensar em tudo, fazer tudo. E ter filhos é uma responsabilidade tão grande, que encara esse papel como o mais importante da sua vida (e é!), fazendo tudo ao seu alcance para não falhar.

Esquecendo-se de si! Dizendo a si mesma que não tem tempo para se cuidar ou sentindo-se culpada quando o faz!

A Super Mãe só consegue dar, de forma sustentável, aquilo que tem. Ponto. Esquece-se que da mala de ferramentas que os seus filhos levarão para a vida, estão a autoestima, a confiança, o saber escutar a voz interior, aprender a definir objectivos e os caminhos para lá chegar. E com quem eles aprenderão isto, senão com ela (e o pai?).

De repente a capa da Super Mãe tornou-se demasiado pesada para mim. Obrigou-me a parar para pensar no que EU queria. E percebi que o meu objectivo era “sentir-me realizada como indivíduo e como mãe” (por esta ordem).

Para lá “chegar” apercebi-me que teria de incluir uma série de acções no meu dia-a-dia e que precisava de recursos para as executar. Basicamente tempo, organização, dinheiro, foco e paz de espírito 🙂

Sem surpresa, o recurso TEMPO apareceu em todas as acções, mostrando-me que tinha de o gerir de forma inteligente.

Assim “nasceu” a agenda.

Já devo ir na 6536397ª versão, porque temos de ser flexíveis e de nos ajustar à realidade que nos envolve e que está sempre a mudar. E temos de ser realistas.

Vamos mesmo fazer exercício TODOS os dias? Ou posso dar uma corrida enquanto os miúdos andam de bicicleta?

Vamos mesmo cozinhar almoço e jantar TODOS os dias? Ou haverá orçamento para comer fora algumas vezes por semana?

Quer gostemos ou não, quando somos pais, deixamos de ter poder total sobre o nosso tempo e os filhos acabam por definir a nossa agenda. Temos de atender as suas infinitas necessidades (levar à escola, buscar, dar-lhes de comer, adormecer, brincar, consolar…)

Daí ser tão importante usar bem o tempo. Este recurso torna-se ainda mais precioso!

E como fiz?

Nesta minha empreitada, optei por não comprar uma agenda em papel toda XPTO (apesar de adorar agendas).

Num ficheiro word construí uma tabela, tipo horário escolar, com os sete dias da semana e as horas. Para além do trabalho, encaixei os períodos em que faço exercício, planeio as refeições, faço as compras, cozinho, preparo as marmitas (novidade deste ano!), actualizo as despesas, levo/trago os miúdos da escola…Assinalo também as borlas, que são os dias em que estão na vovó e nós podemos fazer um programinha de crescidos 😉

Mas após o entusiasmo (e conforto) em saber a minha semana organizada, ter definidas as tarefas que me levariam ao cumprimento dos meus objectivos…puff…de repente desviei-me do planeado.

Ao contrário dos primeiros dias, ver a agenda, não era a primeira coisa que fazia quando me sentava ao computador de manhã (e/ou a última coisa que fazia quando me ia deitar).

Isto é TÃO importante!

O que aconteceu é que esse hábito (consultar a agenda) não entrou no piloto automático, por falta de consistência! O que me levou a uma situação em que me vi novamente a apagar fogos durante o dia e a dedicar-me a tarefas menos importantes, mas que me davam mais prazer, ou a tarefas importantes, mas agendadas para outros dias. Ou a procrastinar!

A solução não é fazer uma agenda. É útil fazê-la e, na minha opinião, é importante que seja à luz dos objectivos pessoais ou profissionais. A solução é viver a agenda. Olhar para ela todos os dias, pois só assim ela se torna uma ferramenta poderosa de organização e alívio da carga mental.

E os imprevistos? Não me causa o mínimo stress mudar determinada tarefa para outro horário ou mesmo para o dia seguinte porque houve um feriado, tenho um prazo de entrega, surgiu uma oportunidade que quero explorar, alguém ficou doente, ou porque tive um almoço demorado com uma amiga. Nadinha!

A ideia é a agenda trazer-me mais organização e menos stress. Quando estou organizada, consigo gerir melhor o meu tempo, sentir-me mais realizada, com mais energia, estar mais PRESENTE!

Uma agenda, alinhada com o(s) nosso(s) objectivo(s) é uma poderosa ferramenta para antecipar as armadilhas que bloqueiam a sua concretização.

E que armadilhas são essas?

Ui, tantas…

Não planear o que se vai comer impacta a poupança de tempo, de dinheiro, uma alimentação variada, mais saudável.…

Trabalhar sem foco influencia a nossa capacidade de conseguir estar presentes, ter tempo de qualidade com a família e amigos…

Ter um sono de má qualidade, porque ficámos agarrados ao telefone até tarde, impacta não só a nossa disposição como a própria saúde!

Se há uma coisa transversal a todos, é o tempo. São 24 horas. 8+8+8. Nem mais, nem menos.

Se cerca de 8 delas estão alocadas ao sono e 8 ao trabalho, ainda nos restam 8 (na melhor das hipóteses) que também podemos utilizar para perseguir os nossos objectivos, sejam eles quais forem (criar uma fonte de rendimento alternativa, perder peso, ler mais, fazer um curso, passar mais tempo com a família, com os amigos…).

Não vale a pena gastar tempo a fazer coisas que não fazem parte da lista de prioridades e que comprometem o nosso objectivo.

Não é fácil. Mas acredito que o tempo e a repetição consolidam os novos comportamentos, que tornarão hábitos incorporados no nosso piloto automático. E tudo flui 🙂

Com o “novo” ano à porta, é uma altura excelente para rever os objectivos anteriores, se os cumprimos, se ficámos aquém, se ainda fazem sentido…e refazer a agenda, claro!

Há um ano o meu objectivo era “sentir-me realizada como indivíduo e como mãe”. Não passei com distinção, ainda há muitas arestas a limar, mas tenho a certeza que estou na direcção certa.

Este ano mantenho o mesmo objectivo mas pretendo reforçá-lo com uma frase que possa repetir ao acordar, ao deitar ou sempre que me sentir a desviar do caminho. O meu mantra será: “tudo está bem, porque EU estou bem”.

Definitivamente, somos a bússola emocional das nossas casas, dos nossos filhos e por isso, quando estamos bem, eles também estão bem.

Então…

TUDO estará bem! 🙂

Feliz Ano Novo!

Leave a Reply

Your email address will not be published.