Sacred Cow e a agricultura regenerativa

Finalmente vi o documentário The Sacred Cow – The Case For (Better) Meat, disponível aqui até 30 de Novembro.

Achei este documentário interessante por várias razões:

  • O tema em si – a agricultura regenerativa e o papel importante dos animais
  • Não se apoia em estudos científicos para advogar uma determinada filosofia alimentar  – já perdi a conta aos documentários que, ou usam mal a ciência para tentar persuadir, ou apenas mostram os estudos que suportam o argumento
  • Mostrou-me algumas perspectivas sobre as quais não tinha “perdido” muito tempo a pensar

E antes de passar às perspectivas, um disclaimer:

Não é minha intenção promover o consumo de alimentos de origem animal, nem de qualquer tipo de dieta.

A minha “agenda” é promover a alimentação consciente.
Porque se há poder que temos é o de fazer escolhas. Escolhas que nos sirvam e não escolhas que alguém nos disse que eram as melhores para nós.

Então vamos lá às perspectivas 🙂

As assimetrias de sempre

Por mais que isso te chateie, os produtos de origem animal foram consumidos ao longo de toda a nossa evolução e contêm macro e micronutrientes biodisponíveis, isto é, mais facilmente absorvidos.
Portanto, quando advogamos que TODOS deviam passar a ter uma dieta à base de plantas, a bem dos animais e do Planeta, não nos podemos esquecer que em várias partes do globo existem populações com problemas gravíssimos de subnutrição por défice de consumo de alimentos (e não por excesso como acontece no “primeiro mundo”).
Populações que, ao contrário de nós, não têm o privilégio de escolher ultraprocessados com baixo valor nutricional ou uma dieta que pode exigir o recurso a suplementos alimentares.

A morte é omnipresente

Uma entrevistada contou uma história super interessante sobre a sua relutância em matar lesmas que lhe devoravam as alfaces.
Tinha duas escolhas: ou se livrava das lesmas ou tinha de estar sempre a semear alfaces.
Como não conseguiu matá-las, desistiu de as produzir e foi comprar alfaces ao supermercado, o que a deixou bastante aliviada.
Mas depois lembrou-se que alguém as matara por ela.
Para piorar, se for uma alface de agricultura convencional, o armário ainda tem mais “esqueletos”: as lesmas, os microorganismos do solo, as minhocas, as aves e todos os animais que usavam aquele ecossistema para viver e foram dizimados pelos pesticidas e/ou impedidos de o usar devido ao empobrecimento do solo.

De facto a produção animal é importantíssima para a regeneração dos ecossistemas, dos solos, para auxiliar a captação de CO2 (fixado pelo pasto).
Além disso, a maior parte da terra disponível não se presta à agricultura, mas presta-se à produção animal. Mas…tem de ser bem executada e bem gerida!

Por isso pergunto:

Em locais onde o consumo de carne possa ser substituído por alimentos igualmente nutritivos e naturais (não isto), por que não usar o serviço prestado pelos animais sem que para tal TODOS tenham de ser mortos?
Ou seja, não poderão os produtores receber pelo serviço que prestam ao Planeta, e não pela carne que vendem?

Não se poderá chegar a um equilíbrio?

Eu acho que sim! E tu? 🙂

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *