Reflexões de uma mãe em retiro forçado

Este é um artigo diferente do habitual em que decidi partilhar contigo as reflexões desta mãe em retiro forçado.

Não sei se já passaste por isto, mas há uns meses que sinto que preciso de tirar uns dias só para mim. Fazer um retiro. A L O N E.

Tinha algumas opções em aberto e calculava fazê-lo nesta altura: final de Março ou início de Abril.

Assistindo à evolução do coronavírus na China, e como pessoa stressada que sou (hehehe), achei que talvez fosse boa ideia deixar para outra altura.

Nesta situação particular, ser stressada não foi nada prejudicial. Pelo contrário: fez com que tomasse precauções que podem ter sido fundamentais para estar de boa saúde enquanto escrevo estas linhas.

E o tal retiro acabou mesmo por chegar, ainda que de uma forma totalmente inesperada e caótica. Um retiro forçado.

As razões que deram origem a esta situação estão relacionadas com o período em que vivemos mas posso garantir-te que está tudo bem, apesar do susto 🙂

O facto de ser um “retiro” forçado fez com que não o encarasse desde logo como uma oportunidade, mas sim como um problema.

OK, Universo, eu queria estar sozinha. Mas não durante tanto tempo e nestas condições de medo, angústia, incerteza…

Assim, os meus dias têm sido passados a sobrevoar a vida, a calar pensamentos menos bons com porcarias que passam na TV, redes sociais, que me roubam a energia e o foco.

Passei então a cobrar-me imenso por não estar a conseguir retirar o melhor desta situação, o que me levou a mais ansiedade e frustação.

Incrível como o Universo nos dá o que pedimos, ainda que nem sempre o consigamos reconhecer.

Decidi reconhecer que este foi o retiro que “pedi”. Optei por aceitar com compaixão que não tenho sido produtiva, não tenho ocupado o meu tempo como gostaria, que não tenho cuidado de mim como é suposto, blá blá blá…

E enquanto aqui estou, só posso imaginar como estará a ser difícil a tua situação: o confinamento, a gestão do teletrabalho, a atenção aos filhos, as tarefas domésticas…

Tenho a certeza que por mais romântica que seja a minha ideia de se poder aproveitar este tempo em família, fortalecer laços, experienciar os dias com calma, não deixo de reconhecer o desafio ENORME pelo qual estás a passar.

Mas sei que eu e tu nos vamos recordar deste período de uma forma especial e embora não estejamos a viver uma situação fácil, temos de a aceitar e viver o presente.

Eu quero aceitar que andei meia zombie. Tu talvez queiras aceitar que não estás a conseguir ser aquela mãe do Instagram que parece ter tudo controlado 🙂

E está tudo bem!

Acho que com mais compaixão e menos culpa, encaramos os erros como o que realmente representam: aprendizagens para seguirmos em frente.

<3

#todosportodos

2 thoughts on “Reflexões de uma mãe em retiro forçado

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