Planet Plastic

Se há coisa que admiro no David Attenborough, além do trabalho fabuloso que atravessa gerações, é a capacidade que tem de se adaptar, de inovar, de abraçar “novas” causas.

No final do Blue Planet II, uma série dedicada inteiramente aos oceanos, David Attenborough deixa-nos uma mensagem poderosa e que incita à acção “…o futuro da humanidade, e de toda a vida no Planeta, depende de nós“.

Estas palavras e as imagens comoventes de um planeta imerso em plástico (e banda sonora a condizer), apelam fortemente ao lado mais humano de todos nós.

Os Humanos têm muitos defeitos mas acredito que a sua essência é boa. Tendemos a ser mais empáticos com realidades semelhantes à nossa, reagimos com desconfiança à diferença, usamos heurísticas para atalhar decisões,…generalizamos 😉
Contudo, na minha opinião, não devemos colocar o foco na negação dessas fragilidades, mas reflectir sobre a sua utilidade actual (após centenas de milhares de anos de evolução).

E no que toca à poluição, a nossa querida Terra dá-nos uma grande lição: não adianta varrermos apenas os nossos cantinhos, cuidarmos das nossas tribos. Aquilo que todos fazemos, todos afecta.

Mas uma coisa é certa: ser sensível a imagens de uma cria de albatroz que se “alimenta” de fragmentos de plástico e passar à prática, são coisas diferentes.

Principalmente quando nos deparamos com a quantidade de potenciais ameaças à saúde – poluentes atmosféricos, metais pesados, pesticidas, toxinas produzidas por fungos (sim, aqueles bolores que mancham as paredes), microplásticos, disruptores endócrinos, organismos geneticamente modificados, bactérias resistentes…pufff…

Confesso que por vezes me sinto atordoada e assoberbada com tanta informação 😐
Desde miúda que sou sensível às questões ambientais e há décadas que tenho uma postura de redução de plástico. Tenho feito mudanças incrementais, é verdade. Mas quero/tenho de fazer mais.

Garantidamente os dias são corridos. Acrescentar estas preocupações torna-os ainda mais preenchidos, convidando ao “deixa-andar” por uma questão de conveniência.

A sorte é que o caminho da sustentabilidade tem-se tornado cada vez mais conveniente, com imensa gente a facilitá-lo: pessoas que criam produtos alternativos, pequenos negócios que os vendem, marcas atentas e que, de forma genuína, apostam nesse mercado (e não apenas para gerar lucro).

Por isso, entre o regresso ao sabonete, ao vidro, às experiências com shampô e desodorizante sólidos; depois dos sacos de rede dos Panos da Vera, das escovas de bambu que comprei à Marta, chegou a vez dos muito ansiados detergentes ecológicos a granel da Ecox. Next stop 🙂

Parte do segredo está em não nos deixarmos assoberbar. Não enfiar a cabeça na areia. Não estar à espera que os outros mudem, as corporações mudem, os governos mudem. Ainda que nos digam que é pouco o que fazemos, que é uma gota de água. Seja!

E por outro lado, educar educar educar ao ponto de ouvir:
– Mamã, as tuas fraldas têm muito plástico. Fazem mal ao Planeta!
[big glup!]
Desculpa, filha! Já devia ter conseguido mudar isso. Está na lista! 🙂

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