O melhor açúcar de todos

Falar de açúcar é algo recorrente aqui no blog e costumo brincar dizendo que o melhor açúcar de todos é…aquele que não consumimos 🙂

Quando falo de açúcar refiro-me ao açúcar branco, amarelo, mascavado, de cana, de coco, xarope de arroz, xarope de tâmaras, mel, xarope de agave, de ácer (…), porque todos contêm os designados AÇÚCARES simples: glicose, frutose, galactose, maltose (glicose+glicose), sacarose (glicose+frutose) e lactose (glicose+galactose).
Todos estes açúcares fornecem a mesma quantidade de calorias por 100g (4 kcal).

Quando falo de açúcar refiro-me também a um outro grupo que são os edulcorantes. Os edulcorantes podem ser naturais, quando existem em alimentos naturais; ou artificiais, quando são sintetizados em laboratório.

Para começar, deixemos já de lado os edulcorantes artificiais porque não há razão que justifique falar deles num blog sobre alimentação natural.

Restam-nos os naturais que, como disse, existem em alimentos e apesar de adoçar, fornecem menos calorias que os verdadeiros açúcares. Neste grupo inclui-se a stevia e os polióis (ou açúcares de álcool).

“Mas então se são naturais, adoçam e não possuem calorias…são perfeitos!”
Not so fast! 😉

“São naturais”

Não encontramos edulcorantes fora do contexto do alimento no qual existem, isto é, não existem na natureza na forma pura.
Para serem vendidos em pacotes, tiveram de ser extraídos, isolados e, nalguns casos, misturados para terem um sabor melhorzinho (caso da stevia).

[A planta da stevia, além dos compostos que lhe conferem o sabor doce, tem outros que lhe dão um sabor amargo, por isso a stevia que compramos e que é doce, teve de ser alterada e/ou misturada com outros adoçantes.]

A indústria adora colocar alegações nos seus produtos e uma das preferidas é precisamente o “natural”. Mas repara: os cogumelos contêm polióis, no entanto não são alimentos doces, pois não?

Por isso é que acho muita piada a esta imagem 😀

“Adoçam e não possuem calorias”

Sim, realmente adoçam e muitos não possuem calorias, mas isto traz um preço.

  1. Consumir algo que adoça mas que não fornece calorias é uma forma de enganar a fisiologia. O resultado é que o nosso corpo fica tão confuso que acha que não estamos a comer/beber nada e faz com que tenhamos vontade de comer/beber mais.

É como um ensaio, em que se actua como se fosse a sério, mas no final não há palmas, porque não há público.

  1. Se algo não tem calorias é porque não é digerido pelas nossas enzimas e, das duas uma: ou sai como entrou ou “alguém” o vai digerir.

No caso dos polióis, esse “alguém” são as bactérias do intestino. Daí que o consumo destes edulcorantes possa causar distúrbios intestinais que podem incluir flatulência ou mesmo diarreia.

“Mas nós não queremos viver sem açúcar!”

Sim, açúcar (ou algo que adoce) sabe bem e muitas vezes é o que nos faz comer mais de determinada coisa (tal como o sal).
Se não fosse o açúcar, ninguém comeria chocolate e provavelmente não obteria alguns benefícios do cacau 😀

[Temos de olhar para o lado positivo da coisa, né? 🙂 ]

Mas quando o benefício que retiramos do alimento é menor que o prejuízo que ele nos causa, é sinal de que devemos parar para pensar.

[Por exemplo, comemos bolachas à base de farinhas e óleos vegetais refinados, com montes de aditivos (blhec) porque o açúcar mascara a falta de sabor e qualidade dos ingredientes.]

Não sou contra a utilização pontual de açúcar e/ou dos edulcorantes naturais no contexto de uma alimentação natural. Alerto para a sua utilização excessiva e por rotina, pois não nos traz benefícios e deseduca o paladar.

Então o melhor açúcar de todos é…

Para mim, a melhor forma de consumir açúcar é usar alternativas naturais (fruta, mel e ocasionalmente pasta ou xarope de tâmaras) nas minhas receitas “adocicadas”.
Não porque acredite que comer um bolo com açúcar e bons ingredientes me vá matar, mas porque prefiro não deseducar o meu paladar (e o dos meus filhos).

E para isso uso alguns truques 😉

Usar farinhas naturalmente adocicadas

Apesar de não ser essa a razão para não consumir trigo, a farinha de aveia, de amêndoa, de alfarroba, de coco, são muito mais doces que a farinha de trigo.

“Não fica a mesma coisa”. Verdade, trigo é trigo, mas lá está: pensa no custo/benefício.

Usar especiarias

Especiarias como canela e erva-doce são fantásticas para dar um toque doce às receitas.

Adoçar com mel (a posteriori)

Caso consumas mel, é preferível usá-lo como topping do que incluí-lo na receita, pois com o aquecimento perderá alguns dos seus benefícios.

Concentrar o açúcar da fruta

Ao usar fruta desidratada, cozida ou assada, o sabor doce será intensificado.

Simplesmente não ter açúcar em casa

Não sei quando foi a última vez que comprei açúcar…tenho imensos pacotes que trazia para casa quando me davam nos cafés e que uso para as sessões com os miúdos.

Eu penso assim: a minha despensa espelha a minha alimentação de rotina. As excepções, faço-as sem qualquer peso na consciência e, sempre que possível, optando por produtos de qualidade 🙂

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