H2O – A “dieta” que deveria entrar na moda

há dias o meu primo enviou-me este vídeo. “pensei logo em ti”, disse ele. hmmm…seria pelo matt damon? 😉

e ontem, enquanto dava assistência técnica ao banho do meu filho (hehehe), observava a sensação de bem-estar e alegria proporcionada pelo correr da água sobre o seu corpinho pequenino.

descendemos de seres aquáticos que, corajosamente, abandonaram o seu meio para se aventurarem em terra.

no entanto, mantivemos a dependência desse líquido vital e creio que nos ligam coisas bem mais abstractas, que a nossa fisiologia.

água é vida, água é brincadeiras à chuva, água é útero materno…entrar na água é sentir um abraço reconfortante da mãe natureza.

mas a mãe está zangada e, à latitude em que me encontro, não nos tem brindado com o seu precioso recurso.

e eu estou preocupada. muito preocupada mesmo. há anos que sabemos que devemos poupar água, que no futuro poderão existir conflitos causados pela sua escassez.

e tudo parecia lá no futuro…muito longe…muito pouco definido.

é pouco atractivo falar de falta de água, quando ela está tão disponível e podemos facilmente matar a sede, no café mais próximo.

mas para grande parte da população mundial, este é um problema bem real. a falta de água causa problemas tão “insuspeitos” como por exemplo comprometer a educação das crianças, pelo tempo que perdem à procura de água. é que em muitos países são as crianças (meninas e meninos) que ajudam as mães nesta demorada tarefa.

em angola existe um termo específico “cartar água” (sim, vem de acartar). e todos os dias centenas (milhares!) de pessoas se deslocam das suas casas para cartar água, num qualquer chafariz instalado pelo governo, num furo ilegal, num ponto de fuga da rede de abastecimento, ou até num camião cisterna que cobra ao balde.

costumo falar muito sobre água, e ambiente em geral, com o meu filhote (deformação profissional?) e é cada vez mais frequente abordar a questão da falta de chuva, do seu impacto e de como podemos minimizá-lo.

então ontem, enquanto me deleitava com o seu banhinho, lembrei-o mais uma vez do imperativo respeito pela MÃE “já chega, olha o TEU planeta”. E ele quase instantaneamente fechou a torneira.

ocorreu-me partilhar que, quando era pequenina, não havia água nas torneiras lá de casa. que o avô comprava água, que vinha num camião cisterna (sabe-se lá de onde) e que era transferida para os tanques.

essa água era posteriormente “puxada” por uma bomba, coisa que não acontecia quando não havia luz 🙂 aí tirávamos água directamente dos tanques e tomávamos banho de “caneco”. ele achou piada 🙂

e isto acontecia em muitas casas (e infelizmente continua a acontecer), não porque o nosso país é pobre em recursos hídricos. pelo contrário: é riquíssimo. mas as infraestrururas deixam de funcionar quando deixadas ao abandono, sem manutenção. além disso, as captações de água e a própria rede eram alvos preferenciais durante a guerra.

então havia (há) esta contradição: muita água mas ela não chegava a nós. e, por aquilo que vou percebendo, a situação não se alterou sobremaneira.

e em portugal? de acordo com o ipma, “no final deste mês [janeiro] cerca de 56% do território estava em seca severa, 40% em seca moderada e 4% em seca fraca.”

em pleno inverno.

acho que temos razões para estar preocupados (o que não significa estar bloqueados!). ainda que possamos ser optimistas e esperar pelas “águas mil” de abril, urge tomar medidas. rapidamente.

assim, para além de outras coisas que já vamos fazendo aqui em casa, vou implementar 5 novas medidas (nada inéditas):

  • verificar o tempo que demoro a tomar um banho “normal” e reduzir gradualmente esse tempo com a ajuda do alarme do telefone (ou de um temporizador de cozinha)
  • ser consistente na redução do consumo de água engarrafada (pelo plástico em si e pela água que é gasta a produzir esse mesmo plástico)
  • arranjar estratégias para reduzir a água de descarga do autoclismo (colocar a “bendita” garrafa de areia e/ou usar um “caneco” e/ou a água de lavar as mãos, para diluir os xixis)
  • reaproveitar a água de lavar fruta e vegetais
  • reaproveitar a água da banheira da filhota

será desafiante mudar hábitos tão enraizados. tenho a certeza que não será de um dia para o outro.

mas quando temos filhos, os problemas que pareciam pouco palpáveis e muitooo distantes, ganham outra importância, né? 🙂

e tu? que estratégias usas para poupar água?

deixa as tuas dicas nos comentários 🙂

 

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