Finanças saudáveis – Por onde começar?

uma das consequências positivas de ter começado a planear as minhas refeições foi poupar dinheiro.

já mencionei esta vantagem do planeamento de refeições em inúmeras ocasiões, mas…como saber se se poupa, ou quanto se poupa, quando nem sabemos quanto gastamos?

assumo que sou (era) do tipo de pessoas que passa o cartão de plástico e não toma nota das despesas no final do mês. é vergonhoso, eu sei…

é bom sinal, poderão pensar…de facto é. mas também é sinal de irresponsabilidade.

sei que gasto mais do que deveria…ou melhor, poderia gastar menos em determinadas coisas e investir noutras que me dão mesmo muito prazer, como viajar.

em regra, os grandes comilões de euros das famílias são a casa e a alimentação.

nós a determinada altura decidimos criar um ficheiro para controlar as despesas. hoje em dia, através do homebanking, já é possível fazer o download dos extractos em excel e facilmente fazer algumas continhas, uns gráficos.

existem opções interessantes que irei com certeza explorar, como o português Boonzi mas, por enquanto, temo-nos safado com o nosso sistema e, apesar de ter dado um pouco de trabalho no início, funciona muito bem.

o conceito é semelhante a outros sistemas de gestão de despesas: criam-se categorias, aloca-se cada despesa a uma categoria e quando se faz o download do extracto…voilá! temos a indicação de quanto gastámos, por categoria.

criar as categorias é simples pois normalmente gastamos dinheiro nas mesmas coisas: alimentação, casa, carro, transportes, escola, lazer…

não há vantagem em sermos muito específicos…tipo “meu carro” ou “restaurantes indianos” ou “telemóvel dele”… a menos que nos interesse esse tipo de detalhe… 🙂

nós temos estas:

  • ATM (o que é uma chatice quando fazemos a actualização muito espaçada, porque depois nunca se sabe para onde foi o dinheiro)
  • carro (combustível, oficina, lavagens…)
  • cartão crédito (esporadicamente, numa compra lá fora)
  • casa (empréstimo, água, luz, internet…)
  • conta (para que os senhores dos bancos saibam que estamos de olho neles!)
  • desconhecido (esta é péssima. lol. em vias de extinção!)
  • estética (não consigo assumir os meus cabelos brancos…sniff!)
  • férias (aaaahhhh)
  • impostos (booooo)
  • lazer (cinema, teatro, museus…)
  • miúdos (actividades deles, roupa, brinquedos…)
  • prendas (terrível em dezembro!)
  • restaurante (alguns já são como uma segunda casa…” os meninos estão tão crescidos!”)
  • roupa (quando finalmente ganhamos vergonha na cara e substituímos os trapos)
  • saúde (o nosso bem mais precioso!)
  • supermercado (incontornável)
  • telemóvel (carregamentos, quando alguém explode os dados mensais :P)
  • transportes (públicos)

depois de definidas as categorias, chegamos à parte gira (mentira. à parte chata…errr trabalhosa) que é alocar cada um daqueles códigos estranhos que aparecem no extracto, a uma categoria.

alguns exemplos:

  • COMPRA TT TERMINAL FL – transportes
  • COMPRA GRUPO AUCHAN – supermercado
  • COMPRA INTERMARCHE – supermercado
  • COMPRA CLINICA CUF – saúde
  • COMPRA IMAGINARIUM – miúdos
  • COMPRA CINEMAS UCI – lazer
  • COMPRA WINK – estética (afinal não era só o cabelo…hmmm)
  • ANUIDADE – conta
  • COND3ESQ – casa

sempre que surge uma nova despesa, define-se a categoria a que pertence e o valor gasto é somado automaticamente. quando surge um código já existente, o sistema coloca-o “magicamente” na categoria respectiva.

muito importante: esta é uma tarefa que se deve fazer, no mínimo, semanalmente. senão corremos o risco de nos esquecermos onde gastámos o dinheiro que levantámos, ou de nos aparecer um código super estranho, que nem com muita investigação conseguimos identificar (lembram-se da categoria “desconhecido”? pois!).

depois, no final do mês (ou quinzenalmente, ou até semanalmente) avaliamos a nossa performance financeira e tentamos melhorá-la (sim porque piorar é fácil lol).

mas esta é só a fase I de uma vida financeira saudável. a fase II, também é muito interessante e diz respeito à criação do orçamento.

“credo. isto mais parece uma empresa!”. e é! uma empresa familiar 🙂

há uma certa relutância em falar sobre dinheiro. é um tema um pouco tabú.

e não deveria ser assim, pois quando as nossas finanças estão de boa saúde, sentimo-nos menos stressados, assoberbados, preocupados…

não se trata de ter muito dinheiro e poder gastá-lo “à grande”. trata-se de gerir bem o que temos para que possamos gastar em consciência em coisas que melhorem a nossa qualidade de vida, a nossa saúde física e emocional.

e o orçamento não passa de uma previsão, que será útil para controlar as despesas futuras.

a partir de um ou dois meses de histórico, já é possível perceber os padrões de consumo: quanto se gasta com a casa…com a alimentação…com lazer.

e assim vamos tentar equilibrar as contas, ajustando as categorias em que sabemos que há margem para reduzir.

o ajuste até pode ter uma motivação especial…por exemplo: poupar dinheiro para as próximas férias! já tinha dito que adoro viajar? 😛

sabe tão bem quando defines o que podes gastar numa categoria e ficas abaixo ou fica “ela por ela”!

na verdade, há coisas que por mais optimistas que sejamos, temos de contar…a saúde é um bom exemplo. há que reservar uma fatia para ela…ou melhor, para quando falta.

bem, se ainda não o fazias, espero ter-te motivado a começares a verificar as tuas despesas. se quiseres mais detalhes sobre o tal ficheiro que uso, envia um email para geral@simplifyeat.com.

“se não consegues medir, não consegues melhorar” – peter drucker

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