Escudo de balelas activo

É cada vez mais frequente encontrar a palavra saudável associada a serviços ou produtos.

Devo confessar que quando desenhei o Simplify Eat já sentia uma leve saturação em relação ao termo [é tão genérico!]. No entanto foi incontornável usá-lo para posicionar este projecto: “saudável, consciente, sem complicar!”.

Caminhamos no sentido da Nutrição personalizada, baseada na individualidade e apoiada no conhecimento científico genérico das médias e desvios padrões.

Entretanto continuamos a realizar estudos que utilizam modelos simplificados da realidade.

A realidade é suuuuper complexa! Os sistemas biólogicos são enormes puzzles dinâmicos, em que à medida que colocamos as peças certas, as adjacentes vão-se modificando devido às interações que se criam.

A dificuldade em perceber tal nível de complexidade (e a falta de robustez das ferramentas que usamos), leva-nos a teorias simplistas que apenas representam partes da realidade.

Por exemplo, achámos que a diferença entre as calorias que consumimos e gastamos determinava se emagrecemos ou engordamos. Hmm…é bem mais complexo….

Foi-nos (literalmente!) vendida a ideia de que o colesterol da dieta era o grande vilão da saúde cardiovascular. Hmm…não é bem assim…

Actualmente assiste-se a uma cruzada contra o sal, por este ter o potencial de elevar a pressão sanguínea. Hmm…não é assim tão linear

Quase nada em biologia é linear e simples 🙂

Mas como usar o conhecimento complexo nas decisões do dia-a-dia? A solução não pode passar pelo estudo aprofundado de biologia, bioquímica, fisiologia…

O que eu acho que podemos fazer é 1) reconhecer que cada um de nós possui uma base de dados individual, que deve ser usada para personalizar a nossa própria dieta; 2) aceitar que a realidade é sempre mais complexa que os modelos que a explicam, portanto novas peças do puzzle poderão surgir; e 3) adoptar uma postura cautelosa relativamente aos alimentos mais afastados do seu estado natural, pois menos previsível será o seu efeito na nossa saúde.

Não importa que hoje os ovos façam bem e amanhã façam mal.

Será mais difícil errar se usarmos a tal base de dados, ou seja, conhecimento que acumulamos de nós próprios (tolero bem os ovos?), se tivermos presente que os tais modelos simplificados poderão trazer ou não as peças correctas e se escolhermos, sempre que possível, o alimento mais próximo do estado natural.

Acho que partindo destes princípios gerimos mais tranquilamente as mudanças de sentido que frequentemente ocorrem em Nutrição.

Uma espécie de escudo para manchetes sensacionalistas…sempre activo! 🙂

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