Reflexões no Dia Mundial da Alimentação

Dia para festejar mas sobretudo reflectir se vamos começar a atacar de frente o problema da obesidade e doenças relacionadas ou se vamos continuar a andar às voltas.

Segundo a OMS, a principal causa da obesidade e excesso de peso é um desequilíbrio entre calorias consumidas e calorias gastas.

Fonte: OMS

Tal como alguém disse (não me lembro agora quem), dizer isto é quase como dizer: A principal causa da pobreza é um desequilíbrio entre dinheiro ganho e dinheiro gasto.

OK…e daí? Toda a gente sabe que GASTAR mais dinheiro do que aquele que se GANHA, resulta em menos dinheiro. Mas porque as pessoas gastam mais dinheiro? Onde? Em quê? Será que poderiam não gastar tanto?

Com a questão das calorias é a mesma coisa: Porque as pessoas estão a consumir mais calorias? Onde? Porquê? Será que poderiam não consumir tanto?

“É que tem havido um aumento do consumo de alimentos energeticamente densos, que são ricos em gordura e um aumento do sedentarismo…”, acrescenta a OMS.

Please, OMS…chega de rodeios!

Mesmo que admitamos que engordar ou emagrecer se deva única e exclusivamente a um desequilíbrio entre calorias que entram e que saem (ZzzZZ)…quando falamos em energy-dense foods, estamos a falar de quê?

Alimentos de verdade como oleaginosas, azeitonas, abacates, cocos…que têm elevada densidade energética e nutricional?

Claro que não! Estamos a falar de ultraprocessados, cujas características são precisamente: elevada densidade energética e baixo valor nutricional.

As evidências científicas começam a acumular-se e ainda este ano um ensaio clínico randomizado (nível de evidência elevado) conseguiu provar que o consumo de uma dieta rica em processados CAUSA obesidade.

Um estudo pequeno, é certo, mas controlado ao detalhe, algo mega difícil em Nutrição. Nesse estudo os participantes permaneceram no local de estudo e todas as refeições foram fornecidas pela equipa de investigadores
[daí ser pequeno e curto…investigação a sério custa muito dinheiro!]

Continuando…As dietas dos 2 grupos eram semelhantes no que toca à quantidade de calorias e proporção de macronutrientes. Só que um grupo comia ultraprocessados e o outro “comida de verdade”. Por exemplo, o pequeno-almoço de uns era leite com cereais de pacote, muffins e afins e os outros comiam iogurte grego com granola e frutos secos.

Os participantes podiam comer quanto quisessem….Só que o grupo da dieta ultraprocessada acabou por comer mais!
Porquê? Porque cereais de pacote, muffins, massas e batatas fritas…é muitaaa boooom! 😛
Existem n pessoas super qualificadas e competentes ao serviço da indústria alimentar, cujo trabalho é precisamente assegurar que a elevada palatibilidade dos produtos nos mantem “viciados”.

Na minha opinião, em vez de continuar a bater no ceguinho das calorias in e out, no sedentarismo e trá lá lá, a OMS deveria ser assertiva e dizer: meus amigos, se não quiserem engordar e não passar fome (sim, porque é possível não engordar comendo porcaria)…não comam ultraprocessados!

Comam comida de verdade, que vos nutre, sacia, vos protege contra doenças e fornece-vos nutrientes e micronutrientes essenciais para um bom desempenho cognitivo.
[perceberam a dica? ;)]

E assim, os países que normalmente vão atrás das recomendações desta grande e importante organização, tomariam medidas sérias contra a obesidade em vez de perderem tempo com medidas paliativas de redução de açúcar, gordura, sal em produtos cuja composição é LIXO.

Que se dificulte o acesso a “aLIXOmentos”, que se invista na literacia alimentar e na maior acessibilidade, geográfica e financeira, dos bons alimentos, para que, sobetudo as populações mais vulneráveis, não sejam ainda mais prejudicadas neste jogo.

É que as soluções mais eficazes e duradouras estão quase sempre a montante.

‘bora lá ser mais arrojados, OMS. A indústria que se adapte 😉

Desejo-vos um bom Dia Mundial da Alimentação!

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