Como ceder (e ficar em paz com isso)

Estar de férias é também abrir mão de rotinas familiares que nos facilitam o dia-a-dia e (tentar) ficar em paz com isso.

Pais de crianças pequenas conhecem bem os efeitos catastróficos que uma alteração na engrenagem pode induzir. Saltar uma sesta por exemplo. Medo…

E alterações à rotina alimentar? Miúdos que durante o ano têm uma alimentação equilibrada e nas férias, seja por influência de familiares ou amigos, acabam por abusar de alimentos de “consumo restrito”? 

Não há duas famílias iguais. Logo, não há duas famílias com rotinas iguais. Não é então de estranhar que no convívio com companheiros de férias, possam emergir diferenças que mostram o quão (des)alinhados estamos.

O meu desalinhamento em relação aos meus familiares diz sobretudo respeito à alimentação. Acho que não preciso dizer de que lado do espectro estou 🙂

Todos os anos vivencio o mesmo desafio, especialmente com a família que vem a Portugal passar o Verão. O desafio do “dia especial”, do “é só hoje”, do “coitadinhos”. Não perdemos uma oportunidade para confraternizar, óbvio! É um tempo de ouro, no qual irmãos, tios, sobrinhos, primos, avós, netos estreitam relações. Chega a emocionar a forma como os elementos mais novos vivem intensamente esse período e o antecipam o ano inteiro.

Seja porque nos vencem pelo cansaço, porque não queremos levantar ondas, por nos deixarmos convencer, lá vamos cedendo no gelado, nas batatas fritas, no bolo, mais vezes do que gostaríamos.

E sim, tentamos ficar em paz. Haja respeito e amor 🙂 No entanto, a abertura e a vontade de ceder diminui com a frequência de excepções. Quando há mais excepções que regras, o “dia especial” deixa de fazer sentido e fragiliza a mensagem que pretendemos passar (a da excepção).

E se a falta de firmeza nos retira coerência e autoridade, a “flexibilidade informada” pode ser útil para abrir o debate sobre alimentação saudável e uma oportunidade para lançar sementinhas 🙂

Dependendo das idades, podemos analisar com os miúdos a lista de ingredientes do gelado que escolheram, explicar-lhes o bê-á-bá da leitura de rótulos, nomeadamente o facto de os ingredientes estarem ordenados por ordem decrescente de quantidade.

Podemos mostrar-lhes o açúcar consumido usando pacotes de açúcar. Esta arregala muitos olhos 🙂

E com sorte ouvimos os nossos sobrinhos dizer “tanto açúcar?! nunca mais bebo isto!”.

Sem dramas! Com respeito, amor e já com muitas saudades 🙂

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