Aniversário sem açúcar. É possível?

quando pensas na palavra “aniversário”, qual é a primeira imagem que te vem à cabeça?

balões? presentes? bolo?

eu penso em bolo. e bolo é doce.

na vida, cada um com as suas batalhas. e, nestas coisas da alimentação, eu escolhi lutar contra o açúcar. e…perdi.

mas calma! perdi a favor da saúde! 🙂

não uso açúcar em casa e recuso-me a espalhar aos 4 ventos que faço doces sem açúcar muito bons porque…não é verdade.

não que seja uma péssima doceira, acho que sou razoável. mas não vale fazer batota e portanto, ao excluir o açúcar, automaticamente risco da lista as geleias de arroz, milho; os xaropes de agave, ácer; o açúcar de côco.

não gosto quando me vendem a ideia de que é possível fazer bolos maravilhosos, dulcíssimos, sem açúcar. digam-me “sem sacarose”. assim já sei ao que vou. ou melhor, não vou.

a sacarose ou açúcar de mesa, seja branco, amarelo, mascavado, invertido, aos cubos, riscas ou bolinhas é composta por 50% glicose e 50% frutose.

o que varia são as proporções das moléculas de açúcar. o xarope de agave, por exemplo, chega a ser 90% frutose.

independentemente do índice glicémico, grau de refinamento, branqueamento, de provir de uma fonte natural (a cana-de-açúcar é um alimento natural)…açúcar é açúcar.

[imagem original aqui]

numa visão muuuito simplista, ao consumir açúcar, ou seja, glicose e frutose, acontece o seguinte:

  • a glicose faz disparar a insulina, interrompe a queima de gordura e promove a sua acumulação (pois que sentido faria, usar-se dois combustíveis simultaneamente?).
  • a frutose, segue uma via metabólica não mediada pela insulina. após ser absorvida, segue em alta velocidade para o fígado, que a converte em energia ou gordura, quando as suas reservas de energia estão cheias.

no final do dia, tanto a glicose como a frutose engordam o fígado e a cintura. dois “excelentes” pontos de partida para desenvolver síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e diabetes.

que alternativas (naturais) existem?

existem algumas alternativas, à partida saudáveis, como a stevia, o xilitol, o eritritrol, o xarope de yacon e a fruta-dos-monges.

a stevia é uma planta nativa da américa do sul. o xilitol e eritritol são açúcares de álcool (polióis) presentes em alguns frutos e vegetais. o yacon é um tubérculo oriundo dos andes. a fruta-dos-monges é um fruto do sudoeste asiático.

estas alternativas, distinguem-se das anteriores pelo seguinte:

  • não têm praticamente valor enérgético (próximo de zero calorias).
  • em regra, não causam aumento da glicose no sangue, logo não estimulam a produção de insulina.
  • contrariamente aos açúcares, apresentam alguns benefícios para a saúde.

não pretendo entrar em detalhes sobre estes adoçantes (mais info aqui), apenas destacar o seguinte:

  • apesar de extremamente doces, tanto a stevia como a fruta-dos-monges têm um sabor peculiar, que muitos não apreciam. a indústria tratou de resolver o “problema”, criando produtos cuja composição está a anos-luz das versões in natura. por isso, cautela. não te deixes levar pelo marketing. lê os ingredientes e opta pelas versões puras, sem aditivos (normalmente outros adoçantes e aromas naturais).
  • o xilitol e o eritritol podem causar desconforto gastrointestinal. o xilitol, pode mesmo ter um efeito laxativo.
  • o yacon também pode causar transtornos intestinais devido ao seu efeito prebiótico. é importante verificar se a composição do xarope é 100% yacon, sem aditivos ou ingredientes estranhos.

dito isto, é preciso atestar a tolerância individual a estes produtos e ficar atento às manobras da indústria.

o que uso em casa

ainda bem que há alternativas mas…não estou muito convencida. desconfio sempre de processados com alegações de saúde, assumo.

para adoçar recorro às tâmaras, bananas bem maduras, maçãs e, menos frequentemente, ao mel.

em dias de festa, faço a maior parte das coisas e sou minimalista na oferta de doces. no entanto, “relaxo” no bolo e normalmente compro-o fora.

sendo a última coisa que os convidados comem, faz com que se esqueçam da qualidade do catering e queiram regressar no ano seguinte 🙂

há imensas receitas de bolos saudáveis e sem açúcar (mesmo! sem marketing), mas este é o compromisso que resulta para mim, em dias de aniversário.

uma festa, especialmente de miúdos, é uma excelente oportunidade para dar a conhecer alternativas saudáveis e saborosas. eu agarro-as bem.

mas caramba, fui uma bebé do final dos anos 70, alimentada a cerelac. logo, não é de estranhar que os meus genes gritem por um doce de vez em quando.

nessas alturas, lá faço o gosto ao dente, com consciência. não como “sem culpas” porque já vimos que açúcar é açúcar. e as tais alternativas (para já) saudáveis, levantam-me o sobrolho.

a parte boa, é que cada vez acho o doce mais doce. o meu paladar está mais educadinho, permitindo-me sentir o sabor adocicado de alimentos insuspeitos.

mas se penso em aniversário, penso em bolo. e bolo é doce.

[clica aqui para teres acesso à lista de receitas que utilizei este ano para o aniversário do filhote (5 anos…uau!)]

 

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