O poder das promessas partilhadas

“accountability”
tenho alguma dificuldade em arranjar uma palavra em português que traduza este conceito. responsabilidade?
é frequente fazermos promessas a nós próprios “vou deixar de fumar” “vou começar a dieta” “vou ligar mais vezes para o amigo x” “não vou gritar tanto” “vou deitar-me mais cedo”.
mas sem dúvida (com as devidas excepções, claro!) somos melhores a fazer promessas que a cumpri-las 🙂
não por incoerência ou falta de carácter. há outras razões.

prioridade

fazer uma promessa exige uma tomada de posição relativamente às prioridades da nossa vida. se não percebemos as prioridades, a promessa, por mais importante que possa parecer, dilui-se na correria dos dias, pois tudo, mas tudo, se colocará à frente.

sub e/ou sobrestimação

por vezes não conseguimos estimar correctamente o tempo, a energia, a disponibilidade para executar determinada acção. achámos que seria mais fácil do que se vem a verificar na realidade, ou mais rápido, ou simplesmente pensámos que seria algo que nos daria mais prazer.

gratificação imediata

tal como quando cedemos a um doce e desencadeamos uma cascata fisiológica de prazer, quando fazemos uma promessa, ignoramos momentaneamente o facto de que para a cumprir, termos de ser pacientes e adiar a gratificação.

foco no resultado

no seguimento do ponto anterior, o foco principal é muitas vezes o resultado que pretendemos obter. é nele que colocamos todas as expectativas, quando no fundo a própria “viagem” nos traz aprendizagens, confiança, autoconhecimento e portanto, saboreá-la, poderá ser mais enriquecedor que o resultado em si.

velhos (e maus) hábitos

somos animais de hábitos e de rotinas. o nosso cérebro tende a economizar energia sempre que lhe é possível, fazendo-nos funcionar em piloto automático. o modo automático permite-nos não apenas poupar energia, mas permanecer numa espécie de rede que nos protege do desconhecido e do desconforto de sair da “zona” e ter de tomar (novas) decisões.

 

estes são passos importantes para cumprirmos as promessas a outros, ou nós mesmos: conhecer/estabelecer prioridades, planear, lidar com dificuldades, saborear a viagem e sair conscientemente da zona de conforto.

mas uma ferramenta útil a acrescentar, é a tal da “accountability” 🙂

partilhar a promessa com alguém, para além de ti mesmo, reforça a necessidade inata de sermos julgados como pessoas de palavra e coerentes. muitas vezes “aceitamos” ser incoerentes connosco, mas não com os outros…aí, humanamente, somos impelidos a mostrar a nossa melhor versão.

cumpre por por ti, ainda que quando te levantares de madrugada para correr, seja a cara do teu amigo que te venha à mente 🙂

hás-de ser tão consistente a não “deixar cair” esse amigo, a não desiludi-lo, que passarás também a não fazê-lo contigo!

 

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